Roteiros – Inhotim

Antes de começar, precisamos falar sobre o transporte interno oferecido pelo Inhotim. O serviço, em rotas, custa R$ 25 e te dá o direito de utilizar os carrinhos de golfe que ficam rodando em 8 linhas determinadas – funciona como um ônibus comum, você pega em um ponto e desce em outro.

Vale a pena? Depende. Depende do que você está disposto a conhecer, pois o transporte não atende à área central, por exemplo. Mas, se você quer ver a maior parte do parque, sugiro que contrate o serviço, pois o calor e as subidas podem ser ingratos com os visitantes.

Seguem os roteiros de 1 e 2 dias pelo Inhotim.

1 DIA

Da recepção, volte um tiquinho e vá em direção à Galeria Lygia Pape (G20) – minha preferida!

Lygia Pape, Ttéia 1C, 2002. Inhotim
Lygia Pape, Ttéia 1C, 2002. Inhotim

Depois, volte e atravesse para a Galeria Praça (G3). Observe os painéis na entrada, que foram criados a partir do cotidiano dos moradores de Brumadinho. Os personagens que estão no ônibus são pessoas que realmente existem e cada um recebeu seu próprio busto do artista. Dentro da galeria, se perca por entre as caixas de som da obra Forty Part Motet – o legal aqui é caminhar de caixa em caixa para perceber as nuances das 40 vozes e, no final, se sentar no meio da roda para apreciar o canto como um todo. Feito isso, saia pela outra entrada da galeria, atravesse a ponte e entre na Galeria Cildo Meireles (G5), que é dividida em três salas – Glover Trotter, Desvio para o vermelho (líder em fotos. Siga a tinta até o final) e Através (só pode entrar de sapato fechado!).

Agora é hora de subir. Passe pela Galeria Fonte (se estiver com fome, compre um snack na lanchonete) e siga em direção aos fusquinhas da obra Troca-troca (A6). Pausa para fotos. Agora é hora de imergir no universo da Galeria Cosmococa (G15). A obra se propõe a reproduzir as sensações provocadas pelo uso da cocaína. Prepare-se para deitar em redes, pular em uma sala de colchões e mergulhar em uma piscina bem fria (tem toalhas disponíveis no vestiário).

Refrescado, pegue o transporte interno (Linha 2) ou siga a pé até a exuberante árvore construída pelo Giuseppe Penone – Elevazione (A21). A estrutura em cobre pesa muitas toneladas e é suspensa por cinco árvores de verdade. Essa é minha obra externa preferida!

Giuseppe Penone - Elevazione, 2000 - 2001. Inhotim
Giuseppe Penone – Elevazione, 2000 – 2001. Inhotim

Pegue novamente o carrinho ou continue subindo (sorte do momento: ter comprado o transporte interno) até o Beam Drop Inhotim (A14). A execução dessa obra é simplesmente impressionante – um guindaste de 45 metros jogou em uma piscina de cimento 72 vigas de metal. A ação durou cerca de 12 horas e pode ser vista neste vídeo. É realmente incrível! Mas tome cuidado e não se aproxime em dias de chuva, pois as vigas acabam se portando como para-raios.

Desça e coloque em prática seu espírito de agricultor – plante em vasos em formas de letras criados pela artista Marilá Dardort (G17). Forme frases, faça declarações e poste o que você tem a dizer. Não se esqueça de usar a #souinhotim – quem sabe o perfil do parque não reposta sua foto? Aqui, você pode fazer uma pausa para comer alguma coisa na lachonete próxima ao Palm Pavilion (não aceita cartão). Caso esteja fechada, aproveite para fazer uma boquinha e coma uma barrinha de cereal ou fruta no banco embaixo das árvores – esse é o máximo de comida que você pode levar para o Inhotim.

Energias renovadas, pegue o transporte interno (Linha 3) ou caminhe até o Galpão (G11) e se prepare para entrar no universo impressionante de sons e cores criado por William Kentridge. Se você não quiser almoçar de verdade, uma opção é comer sanduíche na lanchonete ao lado do espaço. Na saída, entre no carrinho (Linha 5) ou vá a pé até a Galeria Adriana Varejão (G7), passando pelo caleidoscópio criado por Olafur Eliasson – Viewing Machine (A13). A galeria da artista brasileira foi um marco na história do Inhotim e deu início às construções grandiosas e que merecem um capítulo à parte. Há tanto para ser dito sobre as obras da Adriana Varejão que vale a pena perguntar aos monitores sobre a história por trás de cada uma.

Agora é hora de almoçar. Você pode escolher entre o Tamboril e o Oiticica se quiser comer comida de verdade. Mas se a intenção comer algo mais rápido e leve, a pizzaria próxima à Galeria Fonte é uma boa opção. Caso opte pelo Oiticica, faça uma parada na obra Narcissus Garden (A17) antes. Se escolher o Tamboril, deixe-a para o final, quando estiver indo para a recepção. Veja onde comer no Inhotim.

Yayoi Kusama - Narcissus garden Inhotim, 2009
Yayoi Kusama – Narcissus garden Inhotim, 2009

Todos comidos, é hora de enfrentar o eixo rosa do parque. Logo na saída do Restaurante Oiticica, você vai ver uma das obras mais emblemáticas do artista que dá nome ao restaurante. As paredes coloridas do Magic Square (A12) não passam despercebidas e atiçam todos os sentidos.

Helio Oiticica - Invenção da cor, Penetrável Magic Square # 5, De Luxe, 1977. Inhotim
Helio Oiticica – Invenção da cor, Penetrável Magic Square # 5, De Luxe, 1977. Inhotim

De lá, siga para a Galeria Miguel Rio Branco (G16) – Linha 6 do transporte interno. As fotos são incríveis e hipnotizantes! A partir daí, você vai se encontrar em uma escolha de pandora: virar à esquerda para ver o domo geodésico construído por Matthew Barney (G12) em meio à mata e ouvir o som da terra na galeria de Doug Aitken (G10); ou virar à direita e conhecer a beleza e realidade dos índios Yanomami, na Galeria Claudia Andujar (G23). Não sei se é por uma relação de apropriação que tenho, mas eu escolheria a última opção. A Galeria Claudia Andujar é incrível. A arquitetura é maravilhosa e as fotos produzidas pela artista são encantadoras e quase paralisantes.

Pronto, agora já deve ser quase 16h30 e é hora de ir embora. Não deixe de parar nas lojas para levar um pedaço do Inhotim para sua casa. Veja onde comprar no Inhotim.

RESUMO 1 DIA:
Galeria Lygia Pape (G20)
Galeria Praça (G3)
Galeria Cildo Meireles (G5)
Troca-troca (A6)
Galeria Cosmococa (G15)
Elevazione (A21)
Beam Drop Inhotim (A14)
Marilá Dardot (G17)
Galpão (G11)
Viewing Machine (A13)
Galeria Adriana Varejão (G7)
Narcissus Garden Inhotim (A17)
ALMOÇO
Invenção da cor, impenetrável Magic Square #5, De Luxe (A12)
Galeria Miguel Rio Branco (G16)
Galeria Claudia Andujar (G23)
ou
Matthew Barney (G12)
Doug Aitken (G10)

2 DIAS

1º dia
Como no primeiro dia você está empolgado e descansado, prepare-se para andar e ver coisas incríveis. Comece pela Galeria Adriana Varejão (G7). Com tanta coisa para ser vista e tanta história por trás das obras (pergunte aos monitores), você vai gastar um tempinho por ali. Logo na saída, você vai ver a obra de Dominique Gonzalez-Foerster (A19). Este deserto construído em meio a tanto verde nos causa certo estranhamento, principalmente pelos pontos de ônibus instalados no espaço – todos eles são cópias de pontos de verdade existentes entre BH e Brumadinho.

Pegue o transporte interno (Linha 5) – ou caminhe – e peça para parar próximo à entrada da galeria Valeska Soares (G14). Os espelhos externos fazem com que a construção desapareça. Lá dentro, é hora de você reaparecer. Milhões de vezes.

Pegue novamente o transporte ou suba até o Galpão (G11), passando pelo caleidoscópio que multiplica a maravilhosa vista – Viewing Machine (A13). No Galpão, conheça a videoinstalação I Am Not Me, the Horse Is Not Mine, 2008, do sul-africano William Kentridge. As oito projeções monumentais foram inspiradas no conto O Nariz, de Nikolai Gogol, que conta a história de um nariz de um oficial do exército que sai do seu rosto e acaba assumindo uma patente superior à dele.

Saindo do Galpão, vire à esquerda e siga até o Viveiro Inhotim, espaço dedicado à botânica que conta com três jardins temáticos – Jardim de Todos os Sentidos (J1), Jardim Desértico (J2) e Jardim de Transição (J3) – e cinco estufas – algumas, às vezes, são abertas para visitação. Em frente à entrada do Jardim de Transição, pegue o carrinho (Linha 4) para a Galeria Psicoativa Tunga (G21). É impossível não reagir a uma obra do pernambucano, morto em 2016 (leia aqui o meu relato sobre a primeira vez que visitei a Galeria). Volte até o Galpão e aproveite para almoçar na lanchonete da galeria – sanduíches e coisas mais leves, pois o dia será longo!

Pronto, agora é hora de virar à direita ao sair do Galpão – pegue a linha 3 do transporte interno. Entre na casinha onde estão as obras de Carrol Dunham (G22) inspiradas no Inhotim. São cinco quadros, um em cada cômodo. Depois, vista o avental e plante em vasos em formas de letras criados pela artista Marilá Dardot (G17).

Marilá Dardot - A Origem da Obra de Arte, 2002. Inhotim
Marilá Dardot – A Origem da Obra de Arte, 2002. Inhotim

Depois de tanto trabalho manual, é hora de relaxar na Piscina (A15) construída por Jorge Macchi. É para nadar mesmo – no vestiário tem toalhas disponíveis. Depois de seco, dê um pulo no Palm Pavilion (A18). Muita gente não entende bem essa obra, por isso, vou dar uma ajudinha. Em sua primeira montagem ao ar livre, o pavilhão é uma adaptação da famosa Maison Tropicale – tipo de moradia pré-fabricada na França para abrigar os burocratas e comerciantes que se mudavam para as colônias africanas -, construída pelo arquiteto francês Jean Prouvé. Dentro, objetos, produtos e projeções que têm as palmeiras como matéria prima ou tema central.

Depois de tantas atividades, você pode fazer uma pausa para um lanchinho na lachonete próxima ao Palm Pavilion (não aceita cartão). Caso esteja fechada, aproveite para comer uma barrinha de cereal ou fruta no banco embaixo das árvores – esse é o máximo de comida que você pode levar para o Inhotim.

Siga subindo até a galeria Carlos Garaicoa (G18), montada dentro do antigo estábulo da fazenda Inhotim. A obra nos esfrega na cara a efemeridade das construções, pessoas e da vida – aos nos vermos na TV, nos colocamos no mesmo lugar das velas que derretem. Ao sair da galeria você vai se deparar com uma impressionante instalação: Beam Drop Inhotim (A14). A execução dessa obra é simplesmente impressionante – um guindaste de 45 metros jogou em uma piscina de cimento 72 vigas de metal. A ação durou cerca de 12 horas e pode ser vista neste vídeo.

É hora de pegar o carrinho (Linha 2) e apreciar a obra de Giuseppe Penone – Elevazione (A21). A pesada árvore de bronze é suspensa por outras cinco árvores (de verdade). Siga descendo até a Galeria Cosmococa (G15). A obra se propõe a reproduzir as sensações provocadas pelo uso da cocaína. Prepare-se para deitar em redes, pular em uma sala de colchões e mergulhar em uma piscina bem fria (tem toalhas disponíveis no vestiário). Na saída, estão os famosos fuscas da obra Troca-troca (A6). Pausa para as fotos.

Desça mais um pouco e entre na mata à procura do labirinto criado por Cristina Iglesias (G19). De lá, volte para a recepção passando pelo Jardim Veredas (J5), inspirado na obra de Guimarães Rosa. Por hoje, é só. Hora de voltar para o hotel e descansar porque amanhã tem mais.

2º dia
Como ontem foi pesado, hoje o roteiro é mais leve, afinal, mais da metade do parque já foi vista no dia anterior. Contorne a recepção e, no lago, siga pela direita. Em cima do Café do Teatro, está instalada a obra Narcissus Garden (A17), onde centenas de bolas espelham você infinitas vezes. Rende excelente fotos.

Yayoi Kussama - Narcissus garden, 2009. Inhotim
Yayoi Kussama – Narcissus garden, 2009. Inhotim

Desça as escadas, atravesse a ponte e se perca nas cores do Magic Square (A12). Depois, entre na Galeria Lago (G6), um dos espaços com acervo temporário. Continue reto, passe pela Galeria Marcenaria (G9) e caminhe até as estátuas de Edgard de Souza (A16). De lá, vá até a Galeria Dóris Salcedo (G8). Apesar de estar fechada para manutenção, é lá que você vai poder pegar o carrinho (Linha 6) que vai te levar até à Galeria Miguel Rio Branco (G16). Repare bem no prédio e como sua estrutura lembra a proa de um navio. Dentro, fotos e projeções incríveis desse artista que realmente me encanta.

De lá, você pode caminhar por dentro da mata (tem um caminho saindo próximo à lanchonete) ou pegar o transporte (Linha 8) até a Galeria Claudia Andujar (G23). Essa galeria é simplesmente impressionante, seja pela arquitetura, que lembra as construções da tribo Yanomami, ou pelas fotografias, tão humanas e incríveis, feitas pela artista.

Galeria Claudia Andujar - Inhotim
Galeria Claudia Andujar – Inhotim

Volte até à Galeria Miguel Rio Branco e pegue o carrinho (Linha 7) que vai te levar até à obra de Matthew Barney (G12), De lama lâmina. Você sabia que para construir o o domo geodésico, o artista permitiu a retirada de apenas sete árvores? A obra se relaciona com o vídeo de mesmo nome feito por Matthew durante o carnaval de Salvador – o filme é exibido todos os dias, às 15h, na Galeria Marcenaria (G9) (proibido para menores de 18 anos).

Matthew Barney - De lama lâmina, 2009. Inhotim
Matthew Barney – De lama lâmina, 2009. Inhotim

Volte à via e suba mais um pouco até a instalação de Doug Aitken (G10), que ficou conhecida como “som da Terra” após ser tema de matéria no Fantástico. O barulho pode soar frustrante para alguma pessoas (como eu). Volte tudo e, quando chegar na Dóris Salcedo, vire à direita. À beira do lago, você vai ver a Galeria True Rouge (G2), que abriga uma obra do Tunga – o mesmo da Galeria Psicoativa. Porém, antes de ir até lá, dê uma parada na Galeria Mata (G1), a primeira do Instituto, que é casa da incrível obra de Marcius Galan – Seção Diagonal.

Marcius Galan - Seção diagonal, 2008. Inhotim
Marcius Galan – Seção diagonal, 2008. Inhotim

Pronto, agora é hora de almoçar. Você tem duas opções, esbanjar um pouco mais e ir ao Restaurante Tamboril – buffet livre – que é mais caro, mas muito mais gostoso que a outra opção, o Restaurante Oiticica – self-service. Acho a comida do segundo bem ruinzinha e com pouca variedade, mas a decisão vai depender do seu bolso e da sua fome. Veja onde comer no Inhotim.

De barriguinha cheia, é hora de completar o percurso. Volte para o eixo amarelo e siga até a Galeria Fonte (G4). De la, desça até a Galeria Cildo Meireles (G5), que é dividida em três salas – Glover Trotter, Desvio para o vermelho (líder em fotos. Siga a tinta até o final) e Através (só pode entrar de sapato fechado!). Faça um pequeno desvio do trajeto normal para entrar na casinha mais charmosa e antiga do Inhotim, que abriga a obra Continente/Nuvem, de Rivane Neuenschwander (G13) – um beijo para quem souber pronunciar corretamente o sobrenome da artista.

Galeria Rivane Neuenschwander. Inhotim
Galeria Rivane Neuenschwander. Inhotim

Volte, atravesse a ponte e entre na Galeria Praça (G3). Dentro da galeria, se perca por entre as caixas de som da obra Forty Part Motet – o legal aqui é caminhar de caixa em caixa para perceber as nuances das 40 vozes e, no final, se sentar no meio da roda para apreciar o canto como um todo. Observe os painéis na saída que foram criados a partir do cotidiano dos moradores de Brumadinho. Os personagens que estão no ônibus são pessoas que realmente existem e cada um recebeu seu próprio busto do artista. Saia, cruze a via e siga até a Galeria Lygia Pape (G20), última do dia e a preferida de quem vos fala. Prepare-se para ser surpreendido, é apenas o que posso dizer.

Pronto, roteiro finalizado, agora é hora de explorar o comércio local.

RESUMO:

1º DIA
Galeria Adriana Varejão (G7)
Desert Park (A19)
Valeska Soares (G14)
Viewing Machine (A13)
Galpão (G11)
Viveiro Inhotim (J1, J2 e J3)
Galeria Psicoativa Tunga (G21)
ALMOÇO
Caroll Dunham (G22)
Marilá Dardot (G17)
Piscina (A15)
Palm Pavilion (A18)
LANCHE
Carlos Garaicoa (G18)
Beam Drop Inhotim (A14)
Elevazione (A21)
Galeria Cosmococa (G15)
Troca-troca (A6)
Cristina Iglesias (G19)
Jardim Veredas (J5)

2º DIA
Narcissus Garden Inhotim (A17)
Galeria Lago (G6)
Galeria Miguel Rio Branco (G16)
Galeria Claudia Andujar (G23)
Matthew Barney (G12)
Doug Aitken (G10)
Galeria Mata (G1)
Galeria True Rouge (G2)
ALMOÇO
Invenção da cor, impenetrável Magic Square #5, De Luxe (A12)
Galeria Fonte (G4)
Galeria Cildo Meireles (G5)
Rivane Neuenschwander (G13)
Galeria Praça (G3)
Galeria Lygia Pape (G20)

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